Encontro do Conselho Deliberativo e empresas associadas reuniu celebração da trajetória da entidade, planejamento estratégico, fortalecimento institucional e debates sobre os desafios da mineração e da matriz energética brasileira.
O Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA) reuniu, no dia 2 de setembro, seu Conselho Deliberativo e empresas associadas em encontro realizado na sede da FIEMG, em Belo Horizonte. A agenda marcou a celebração dos 35 anos da entidade e promoveu uma reflexão sobre sua trajetória, o atual momento institucional, as ações em andamento e as prioridades para os próximos anos.
Durante o encontro, o presidente do Conselho Deliberativo do SINDIEXTRA, Gustavo Lanna, destacou a importância de preservar o legado construído pela entidade ao longo de mais de três décadas, reconhecendo a contribuição das lideranças, empresas e profissionais que participaram dessa trajetória e reforçando a necessidade de preparar o Sindicato para os novos desafios da mineração.

Segundo Lanna, um dos principais desafios do setor é ampliar o entendimento da sociedade sobre a presença e a importância da mineração no cotidiano. “É preciso mostrar a importância da mineração no nosso dia a dia e como ela está presente em nossas casas, na agricultura e na maneira como vivemos”, afirmou.
Ao falar sobre sua relação com o SINDIEXTRA e seu compromisso com o setor mineral, Lanna ressaltou a importância da representatividade, da participação das empresas e da construção coletiva do futuro da entidade. “Tenho o minério correndo nas veias desde criança e acredito que aquilo que busquei lá atrás estou conseguindo construir hoje, estando aqui. Esse é o compromisso que tenho com o setor e com as empresas”, afirmou.
Ele também reforçou que o fortalecimento institucional depende da participação ativa dos associados. “Precisamos estar unidos, organizados e ter de vocês também a credibilidade, o apoio e o movimento necessário para seguir em frente”, destacou.
Planejamento estratégico para o próximo ciclo – Um dos principais pontos do encontro foi a apresentação do trabalho de planejamento estratégico do SINDIEXTRA, desenvolvido com a participação de representantes de diferentes segmentos da indústria mineral.O processo busca estabelecer prioridades para os próximos anos, organizar as principais demandas apresentadas pelas empresas associadas e transformá-las em ações estruturadas, com definição de responsabilidades, indicadores e acompanhamento periódico.
Lanna destacou que o planejamento deve ser um instrumento dinâmico, permanentemente aberto à contribuição dos associados e capaz de acompanhar as transformações do ambiente econômico, político, regulatório e social. Durante a reunião, ele ressaltou que o atual contexto exige capacidade de adaptação e maior união do setor. “O cenário que temos é tão complexo e tão indefinido que precisamos estar mais unidos do que nunca”, afirmou.
Entre as prioridades discutidas estão o fortalecimento da representatividade, a atuação institucional, o relacionamento com os associados, a comunicação do setor, a geração de informações e indicadores, a disseminação de boas práticas e a sustentabilidade da estrutura do Sindicato.
Atuação institucional e defesa preventiva do setor – O fortalecimento da atuação institucional também ocupou espaço relevante nas discussões. A estratégia apresentada busca ampliar a capacidade do SINDIEXTRA de acompanhar antecipadamente as agendas legislativa e regulatória, aprofundar o relacionamento com os poderes públicos e contribuir tecnicamente para debates que possam produzir impactos sobre a mineração.
A proposta é fortalecer uma atuação preventiva, permitindo que o setor participe das discussões antes da consolidação de decisões legislativas, regulatórias ou administrativas. Também foi destacada a importância de uma atuação institucional apartidária, técnica e orientada pelos interesses coletivos da indústria mineral.
Outro ponto debatido foi a necessidade de ampliar a integração entre o SINDIEXTRA, a FIEMG, o IBRAM e outras organizações representativas, aproveitando de forma coordenada as diferentes estruturas institucionais disponíveis e evitando sobreposição de esforços. O objetivo é fortalecer uma agenda convergente para a mineração, respeitando as atribuições e a atuação de cada entidade.
Comunicação, reputação e aproximação com a sociedade – A melhoria da comunicação da mineração com a sociedade foi apontada como outra prioridade estratégica. Para o SINDIEXTRA, o setor precisa comunicar com transparência seus impactos, desafios e responsabilidades, mas também ampliar a compreensão da sociedade sobre sua contribuição para o desenvolvimento econômico e para atividades essenciais.
Minerais estão presentes na construção civil, na agricultura, na geração e transmissão de energia, nos veículos, nos celulares, na infraestrutura urbana, nos fertilizantes e nas tecnologias relacionadas à transição para uma economia de menor emissão de carbono.
Nesse contexto, a produção de indicadores e informações capazes de demonstrar a dimensão econômica, social e territorial da indústria mineral deverá ganhar maior relevância na atuação da entidade.
O compartilhamento de boas práticas entre empresas e a realização de iniciativas de benchmarking também foram apresentados como ferramentas importantes para estimular inovação, produtividade, sustentabilidade e aprendizado dentro do próprio setor.
Matriz energética brasileira – A programação contou ainda com a participação de José Fernando Coura, empresário, diretor do Grupo AVG, membro do Conselho de Administração da Petrobras e presidente licenciado do Conselho do SINDIEXTRA.
Coura apresentou uma análise sobre os rumos estratégicos da matriz energética brasileira e suas interfaces com o setor mineral. Em sua exposição, destacou a relação direta entre disponibilidade de energia, desenvolvimento econômico e qualidade de vida, além dos desafios relacionados à segurança energética, à expansão da infraestrutura e à descarbonização. Segundo ele, o Brasil precisa conciliar a redução das emissões com a necessidade de ampliar o acesso à energia, garantir o abastecimento e preservar sua competitividade econômica.
Ao tratar da relação entre mineração e energia, Coura ressaltou a importância estratégica dos minerais necessários à expansão das novas fontes energéticas. “Eu costumo dizer que não existe transição energética, existe adição energética. O petróleo e o gás continuarão sendo responsáveis por uma parcela significativa da matriz energética durante décadas, enquanto as novas fontes vão se somando e ampliando essa capacidade”, afirmou.

A avaliação apresentada foi de que diferentes fontes de energia deverão coexistir ao longo das próximas décadas, exigindo planejamento de longo prazo, investimentos em infraestrutura e soluções adequadas às características econômicas e territoriais de cada região.
Minerais estratégicos e fertilizantes – Durante a apresentação, também foi abordada a importância estratégica dos minerais para a segurança energética e alimentar. Coura chamou atenção para a elevada dependência brasileira de determinados insumos necessários à produção de fertilizantes, fundamentais para a competitividade do agronegócio.
O tema reforça a necessidade de políticas de longo prazo capazes de estimular a produção nacional, ampliar a segurança das cadeias de suprimento e reduzir vulnerabilidades externas. A discussão mostrou também que o conceito de minerais estratégicos deve considerar as necessidades específicas de cada economia e de cada território.
Além dos minerais associados às novas tecnologias e à eletrificação, insumos fundamentais para construção civil, produção agrícola, energia e infraestrutura também exercem papel decisivo no desenvolvimento econômico.
História e legado do SINDIEXTRA – Ao relembrar a trajetória do Sindicato, Coura destacou o processo de estruturação e consolidação institucional da entidade. “Eu lembro do momento em que cheguei ao SINDIEXTRA, em uma fase delicada para o setor. Eu tinha sido secretário estadual adjunto de Minas e Energia e vim para o Sindicato com o objetivo de contribuir para sua organização. Naquele momento, encontramos uma história muito importante construída pelo professor Zé Maurício, que foi quem estruturou e criou o Sindicato”, afirmou.
Coura ressaltou ainda a ampliação da base de associados e o fortalecimento da presença institucional do Sindicato em conselhos, comitês, agendas públicas e espaços de debate. “Essa participação ampliou a visibilidade, fortaleceu a atuação e deu mais voz ao Sindicato”, afirmou.
Durante o encontro, também foram lembradas diferentes lideranças e profissionais que contribuíram para a história do SINDIEXTRA, reforçando a importância de preservar a memória institucional e transmitir esse legado para as próximas gerações.
Mineração responsável e licença social – Sobre os desafios futuros, Coura ressaltou a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental, segurança, sustentabilidade e diálogo permanente com a sociedade.
Para ele, a crescente discussão sobre minerais críticos, terras raras, segurança energética e novas tecnologias amplia ainda mais a relevância estratégica da atividade mineral. “O desafio está em como realizar essa mineração de forma responsável, com sustentabilidade e, principalmente, com licença social”, concluiu.

Associativismo e integração das empresas – Para Eduardo Ferreira, da Comisa Mineração, o SINDIEXTRA exerce um papel importante na representação e integração das empresas do setor. “Avalio a atuação do SINDIEXTRA de forma muito positiva. É uma entidade com uma atuação correta, pontual e empresarial, importante para a convivência e o relacionamento entre os parceiros do setor”, afirmou.
Ferreira também destacou a importância dos encontros promovidos pelo Sindicato para a troca de experiências entre profissionais e empresas. “Esses encontros são fundamentais porque proporcionam um bate-papo entre pessoas experientes e uma oportunidade de reunir profissionais que muitas vezes não conseguem se encontrar no dia a dia”, explicou.
Ao tratar do futuro da entidade, ressaltou a importância de ampliar o envolvimento das empresas associadas e fortalecer continuamente a representatividade do setor. Ferreira também reforçou a relevância da mineração para a sociedade e a necessidade de conciliar desenvolvimento, responsabilidade ambiental e participação das comunidades.
Um novo ciclo – Ao completar 35 anos, o SINDIEXTRA inicia um novo ciclo tendo como prioridades o fortalecimento da representação da indústria mineral, o aprofundamento do relacionamento com seus associados, a atuação institucional preventiva, a comunicação com a sociedade e a construção de uma agenda estruturada para os desafios futuros.
O encontro reforçou a percepção de que a capacidade de articulação e a união das empresas serão determinantes para que o setor possa participar de forma qualificada das decisões que impactam a mineração em Minas Gerais.
Mais do que celebrar sua história, o SINDIEXTRA busca transformar o legado de seus 35 anos em uma base para ampliar sua capacidade de representação e contribuir para uma mineração cada vez mais responsável, competitiva, sustentável e integrada à sociedade.
Fonte: Denise Lucas / Imprensa FIEMG
